segunda-feira, 22 de junho de 2009

Estudante varzina decide ficar no Brasil.

Em passagem pelo Brasil nos últimos dias, a futura médica vai tentar transferência para uma universidade pública brasileira e disse que fará o Enem ainda esse ano.
O motivo de sua volta deve-se, conforme informou, à falta de recursos e infra-estrutura oferecida pela instituição de ensino em que estuda, chamada Salvador Allende. Depois que um furacão destruiu a Ilha da Juventude, onde Anana estava no ano anterior, ela e todos os alunos foram transferidos para Havana. Segundo a estudante, isso fez com que a instituição de ensino fosse sobrecarregada. “Não há professores suficientes para todos os alunos”, disse.
Mas isso não pode ser atribuído ao sistema de educação cubano, principalmente ao ensino da medicina no país. Anana aponta o problema como um caso isolado, fruto de uma causa maior e inesperada: a destruição da Ilha da Juventude. Devido à falta de estrutura, como um hospital aos alunos e computadores, por exemplo, optou por retornar ao Brasil.
Seu pai, Marcelo Antonio Chaves, morador de Várzea Paulista, esteve em Cuba no final do ano passado e, segundo a estudante, percebeu que realmente faltavam algumas coisas ao ensino da filha. Quanto ao retorno da jovem, o pai, que é professor de história, concede-lhe apoio.
O básico – como alimentação e moradia –, por outro lado, nunca faltou. Na opinião da estudante, tudo oferecido é de qualidade e não tem reclamações a fazer quanto a isso. Se continuasse os estudos em Cuba, Anana, de 23 anos, se formaria com 29 anos; no Brasil, caso consiga uma vaga em alguma universidade, calcula que deve se tornar médica com 30 anos. “A medicina de lá é muito diferente da aplicada aqui”, pontua. “Acho que é possível fazer medicina aqui e com uma consciência cubana”.
Em CubaOutra estudante de Várzea Paulista que foi para Cuba cursar medicina – e que está lá há mais tempo que Anana –, Daniele Cristina dos Santos, 20 anos, não pretende retornar. Segundo sua irmã, Márcia Luiza dos Santos, 33 anos, desde o primeiro ano do curso os estudantes já vão a campo, em postos de saúde. Isso, claro, em informações enviadas por Daniele ao Brasil, seja por telefone ou e-mail.
“Minha irmã se surpreendeu com o país”, explicou Márcia, funcionária pública. A jovem de 20 anos está na Escola Latino-Americana de Ciências Médicas (ELAN), que recebe alunos de 23 países diferentes e que é mantida com recursos cubanos. “Ela já tinha vontade de fazer medicina antes de ir pra lá”.
Assim como Anana, Daniele passou por um processo de seleção e entrevistas para estudar em Cuba. Contaram, ambas, com a ajuda da Prefeitura de Várzea Paulista.
(Fonte: JV)

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